28 janeiro 2026 - 12:57
Cartas do Nahj al-Balāgha – nº 28 A resposta do Imam Ali (a.s.) às falácias e impropérios de Mu‘āwiya

Ao longo da história do Islã, repetidamente observa-se que descrentes conhecedores do Islã e hipócritas que se autoproclamam combatentes da fé passaram a desmerecer os verdadeiros conhecedores do Islã e os genuínos mujahidin, tentando apresentar-se como mais conscientes e mais bem informados sobre o Islã e seus fundamentos, enquanto classificam as ações dos outros como contrárias à religião.

ABNA Brasil — A Carta nº 28 do Nahj al-Balāgha constitui parte da resposta do Imam Ali (a.s.) à carta que lhe foi enviada por Mu‘āwiya. Trata-se de uma das cartas históricas mais conhecidas do Príncipe dos Crentes (Amir al-Mu’minin), amplamente citada em fontes xiitas. Em alguns levantamentos, mais de 43 fontes históricas e hadíticas registram essa carta como sendo do Imam Ali (a.s.).

Em sua carta, Mu‘āwiya elogia alguns companheiros do Profeta e apresenta argumentos para justificar a suposta superioridade deles em relação a outros sahaba, ao mesmo tempo em que critica e difama o Imam Ali (a.s.) no episódio da Saqīfa. Além disso, relembra os vínculos familiares entre os Banū Hāshim e os Banū Umayya, procurando apresentar-se como parente do Mensageiro de Deus (s.a.w.), numa tentativa de colocar-se no mesmo nível dos grandes homens, mártires e combatentes da família dos Banū Hāshim.

O Imam Ali (a.s.), em uma resposta firme e contundente a essas afirmações vazias de Mu‘āwiya, apresenta-o como alguém indigno e incapaz de tratar desses temas. Em diversas passagens, faz referência — com base em fontes históricas e narrativas — à origem não árabe dos Banū Umayya, censurando Mu‘āwiya e, ao mesmo tempo, recordando as bênçãos divinas manifestadas nas lutas e sacrifícios dos Banū Hāshim na defesa e preservação do Islã, bem como descrevendo a hostilidade histórica dos Banū Umayya contra o Profeta do Islã (s.a.w.) e seus companheiros virtuosos.

O Imam (a.s.) declara:

«وَ زَعَمْتَ أَنَّ أَفْضَلَ النَّاسِ فِی الاْسْلاَمِ فُلاَنٌ وَ فُلاَنٌ ، فَذَکَرْتَ أَمْراً إِنْ تَمَّ اعْتَزَلَکَ کُلُّهُ،وَ إِنْ نَقَصَ لَمْ یَلْحَقْکَ ثَلْمُهُ. وَ مَا أَنْتَ وَ الْفَاضِلَ وَ الْمَفْضُولَ، وَ السَّائِسَ وَ الْمَسُوسَ! وَ مَا لِلطُّلَقَاءِ وَ أَبْنَاءِ الطُّلَقَاءِ وَ الَّتمْیِیزَ بَیْنَ الْمُهَاجِرِینَ الاْوَّلِینَ،وَ تَعْرِیفَ طَبَقَاتِهِمْ!»

Ou seja: Tu afirmaste que os melhores dentre as pessoas no Islã são fulano e fulano. Mencionaste algo que, se for verdadeiro, nada tem a ver contigo; e se for falso, nenhum dano te causará. O que tens tu a ver com o superior e o inferior, com quem governa e quem é governado? O que têm os libertos e os filhos de libertos a ver com a distinção entre os primeiros emigrantes, a definição de suas categorias e a classificação de seus graus?

Em outra parte da carta, o Imam Ali (a.s.) volta a tratar da posição de Mu‘āwiya e de sua família no Islã, descrevendo-o como um caminhante no deserto da perdição, afastado do caminho reto, dirigindo-se a ele da seguinte forma:

«أَلاَ تَرْبَعُ أَیُّهَا الاْنْسَانُ عَلَی ظَلْعِکَ، وَ تَعْرِفُ قُصُورَ ذَرْعِکَ، وَ تَتَأَخَّرُ حَیْثُ أَخَّرَکَ الْقَدَرُ! فَمَا عَلَیْکَ غَلَبَةُ الْمَغْلُوبِ،وَ لاَ ظَفَرُ الظَّافِرِ! وَ إِنَّکَ لَذَهَّابٌ فِی التِّیهِ، رَوَّاغٌ عَنِ الْقَصْدِ»

Isto é: Ó homem, por que não permaneces no teu lugar, apesar desse fardo pesado e dessa claudicação? Por que não reconheces tua limitação e fraqueza e não te recolhes ao posto que o decreto divino te destinou? Nenhum prejuízo te alcança se alguém for derrotado, nem lucro algum te advém se outro triunfar. Tu és um errante no deserto da perdição e estás gravemente desviado do caminho reto.

É evidente que aquele que se encontra perdido e desviado não pode reivindicar para si a autoridade de explicar a religião ou definir a posição das personalidades islâmicas. Toda pretensão desse tipo nasce de intenções desviantes e de um projeto consciente de indução ao erro.

Durante o período da Revolução Islâmica do Irã, também surgiram indivíduos que não possuíam sequer um dia de formação religiosa, e que às vezes nem eram capazes de ler corretamente um texto em árabe ou de compreender plenamente temas religiosos, mas que passaram a rotular as atividades dos revolucionários como “contrárias ao Islã”, apresentando-se como mais conhecedores da religião do que os próprios juristas e sábios islâmicos.

Nos anos mais recentes, observa-se igualmente que algumas declarações sobre o Islã, o xiismo e a Revolução Islâmica são feitas por pessoas sem qualquer conhecimento dos princípios do Islã ou dos fundamentos da Revolução, mas que, ainda assim, classificam as ações da República Islâmica como incompatíveis com seus próprios princípios. Apesar de o histórico de hipocrisia dessas figuras ser amplamente conhecido, elas se apresentam como estudiosos xiitas e fundadores da Revolução Islâmica, enquanto acusam os juristas, os sábios religiosos e os porta-estandartes da Revolução de se desviarem dos fundamentos da religião e da Revolução.

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